Nos dias 12 e 13 de março aconteceu o primeiro encontro presencial do Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Produção de Material Didático em EaD no auditório do Centro de Artes da Ufam.

A equipe Dialógica dá boas-vindas aos internautas neste primeiro número de nossa revista eletrônica, esperando poder firmar nosso relacionamento com os leitores. Estamos dando continuidade aos nossos conteúdos on-line, trabalhando no volume 1, número 2, que estará no ciberespaço em breve.

 

 

Possibilidades de uma educação transformadora

Autor de mais de 30 livros, com cerca de 200 artigos científicos publicados, mais de 2 mil horas de conferências e mais de mil horas de ensino pela internet, o professor Francisco Antônio Fialho, da UFSC fala nesta entrevista* sobre as vantagens da educação a distância e sobre um novo paradigma para a educação, ciência e tecnologia.

 

 

 

 

Professor Francisco Antônio Fialho.

Dialógica - Qual a sua impressão sobre educação a distância considerando as diferenças regionais de um país com dimensões continentais?
Prof. Fialho - É Eu acredito na educação a distância feita com seriedade, e não para se ganhar dinheiro. Para o meu país ela é uma solução. Há lugares onde só se vai chegar com a educação a distância. E não precisa ser na Amazônia. Imagine a periferia do Rio de Janeiro, a Rocinha, ou São Paulo, onde o professor não vai poder mais entrar por causa da violência, mas poderá estar virtualmente presente e possibilitar, como diz Paulo Freire, a transformação da realidade.

Dialógica - Com essas diferentes realidades, pode ser estabelecido um padrão de avaliação do trabalho em EaD?
Prof. Fialho - Nós temos os elementos necessários para uma educação de qualidade. O curso só a distância não funciona. Deve haver um mix de educação presencial, vídeo conferência, Internet. A TV digital é outra ferramenta fantástica para educação. As várias ferramentas devem ser dosadas homeopaticamente. Agora, cada realidade deve ter um mix diferente. Acredito que teremos no futuro profissionais que dirão, por exemplo: “para tal situação a mistura ideal é 90 por cento de internet, 10 por cento a distância, 1 por cento presencial”. Isso é uma arte que precisamos trabalhar formando profissionais especializados em utilizar as mídias tecnológicas. Tudo isso é uma possibilidade de uma educação transformadora.

Dialógica - Qual o seu entendimento sobre educação, futuro e tecnologia?
Prof. Fialho - Temos uma ciência contra a natureza, que tenta dominá-la e isso está nos levando a uma catástrofe iminente. A cada dia as pessoas estão acordando para essa realidade. Dizem: “a festa continua, mas vai faltar gelo”. O nosso futuro, na verdade, é uma quebra de paradigmas. Nós temos que mudar o modelo de dominação no qual vivemos e que estamos passando para as novas gerações. A tecnologia permite você sonhar o que era inimaginável no passado. Graças a ela é possível imaginar uma educação holística. Mas, precisamos mudar da ciência contra a natureza para uma ciência com a natureza. Isso é uma nova maneira de educar, que está muito além das tecnologias. Insisto em Paulo Freire: “educar para quê?”. Definir isso é mais importante.